Saturday, May 10, 2008

Pois é!
Há que se repetir: "O homem é o lobo do homem."
Chega o sábado, quase cortando... Trazendo o sono, o descanso que cansa, e as mágoas estampadas nos sonhos (sonhos?!) da noite.
Antes disso ainda, uma bomba, que explode em dúvidas. Como em uma atrocidade; como o "caso Isabella".
Vilão, inocente? Este último não, pelo menos em meu sentido aguçado. Mas de que importância tem o que sinto? Nunca teve. E pra quê vou generalizar? Nunca se sabe. E isso é que divide.
Eu espero que Deus A guie... A acalme, e que mostre a sua verdade.
Mas a cada dia me decepciona os sentimentos destrutivos que as pessoas carregam.
Isso me deixa sem vontade de confiar nas pessoas, em um futuro de paz!
Ah, Ami, eu quero pelas menos minhas setecentas medidas... Será que assim posso ir no seu disco voador?!
Os pré-requisitos a uma vida digna são falhos... Não nos tornam realmente humanos.
É uma vergonha! Uma vergonha! Uma vergonha sem escrúpulos!

Eu concordo com o Zeca: "É mais fácil cultuar os mortos que os vivos..."

E pra combinar com minha obscuridão mental, mais um pouco de literatura das trevas! ahahhahahhha

O CEMITÉRIO

Pelas ruas de túmulos, fomos calados. Eu olhava
vagamente aquela multidão de sepulturas, que trepavam,
tocavam-se, lutavam por espaço, na estreiteza da vaga e
nas encostas das colinas aos lados. Algumas pareciam se
olhar com afeto, roçando-se amigavelmente; em outras,
transparecia a repugnância de estarem juntas. Havia
solicitações incompreensíveis e também repulsões e
antipatias; havia túmulos arrogantes, imponentes, vaidosos
e pobres e humildes; e, em todos, ressumava o esforço
extraordinário para escapar ao nivelamento da morte, ao
apagamento que ela traz às condições e às fortunas.
Amontoavam-se esculturas de mármore, vasos, cruzes e
inscrições; iam além; erguiam pirâmides de pedra tosca,
faziam caramanchéis extravagantes, imaginavam
complicações de matos e plantas - coisas brancas e
delirantes, de um mau gosto que irritava. As inscrições
exuberavam; longas, cheias de nomes, sobrenomes e
datas, não nos traziam à lembrança nem um nome ilustre
sequer; em vão procurei ler nelas celebridades,
notabilidades mortas; não as encontrei. E de tal modo a
nossa sociedade nos marca um tão profundo ponto, que até
ali, naquele campo de mortos, mudo laboratório de
decomposição, tive uma imagem dela, feita
inconscientemente de um propósito, firmemente desenhada
por aquele acesso de túmulos pobres e ricos, grotescos e
nobres, de mármore e pedra, cobrindo vulgaridades iguais
umas às outras por força estranha às suas vontades, a
lutar...
Fomos indo. A carreta, empunhada pelas mãos profissionais
dos empregados, ia dobrando as alamedas, tomando ruas,
até que chegou à boca do soturno buraco, por onde se via
fugir, para sempre do nosso olhar, a humildade e a tristeza
do contínuo da Secretaria dos Cultos.
Antes que lá chegássemos, porém, detive-me um pouco
num túmulo de límpidos mármores, ajeitados em capela
gótica, com anjos e cruzes que a rematavam
pretensiosamente.
Nos cantos da lápide, vasos com flores de biscuit e, debaixo
de um vidro, à nívea altura da base da capelinha, em meio
corpo, o retrato da morta que o túmulo engolira. Como se
estivesse na Rua do Ouvidor, não pude suster um
pensamento mau e quase exclamei:
— Bela mulher!
Estive a ver a fotografia e logo em seguida me veio à mente
que aqueles olhos, que aquela boca provocadora de beijos,
que aqueles seios túmidos, tentadores de longos contatos
carnais, estariam àquela hora reduzidos a uma pasta
fedorenta, debaixo de uma porção de terra embebida de
gordura.
Que resultados teve a sua beleza na terra? Que coisas
eternas criaram os homens que ela inspirou? Nada, ou
talvez outros homens, para morrer e sofrer. Não passou
disso, tudo mais se perdeu; tudo mais não teve existência,
nem mesmo para ela e para os seus amados; foi breve,
instantâneo, e fugaz.
Abalei-me! Eu que dizia a todo o mundo que amava a vida,
eu que afirmava a minha admiração pelas coisas da
sociedade - eu meditar como um cientista profeta hebraico!
Era estranho! Remanescente de noções que se me
infiltraram e cuja entrada em mim mesmo eu não
percebera! Quem pode fugir a elas?
Continuando a andar, adivinhei as mãos da mulher,
diáfanas e de dedos longos; compus o seu busto ereto e
cheio, a cintura, os quadris, o pescoço, esguio e modelado,
as espáduas brancas, o rosto sereno e iluminado por um
par de olhos indefinidos de tristeza e desejos...
Já não era mais o retrato da mulher do túmulo; era de
uma, viva, que me falava.
Com que surpresa, verifiquei isso.
Pois eu, que vivia desde os dezesseis anos,
despreocupadamente, passando pelos meus olhos, na Rua
do Ouvidor, todos os figurinos dos jornais de modas, eu me
impressionar por aquela menina do cemitério! Era curioso.
E, por mais que procurasse explicar, não pude.


(Lima Barreto)

Thursday, May 08, 2008

Mais V. H.

"Que são as convulsões de uma cidade perto das revoltas de uma alma? O homem é um abismo ainda mais profundo do que o povo. [...] Todos os abismos se haviam aberto de novo, e ele estremecia [...] no limiar de uma revolução tremenda e obscura. Bastavam apenas algumas horas para que o seu destino e a sua consciência repentinamente se cobrissem de sombras."




-


As lágrimas queimavam o rosto frio e sem vida.
Pensei mesmo que fosse morrer.

Sunday, May 04, 2008

É como se fosse
E é!
Mas seja como for
Os corações que no descompasso se procuram
No vago espaço do amanhã
Sorriem, afagam-se e esbofeteiam-se...
Calados, anunciam-se enlaçados
Até o próximo desatar.
Não vai haver desfecho,
Vão perdurar na cotntramão
Oh! O desejo de ser
Ah!
E... É!
Como se fosse
Seja como for...
Adeus...
Amor!



E as formigas queriam carregar esse miserável corpo!
Carreguem pequeninas...
Encham suas barriguinhas...
E acabem com esse vazio!

Friday, May 02, 2008

IDENTIDADE

Tô me sentindo tão vazia. Tão vazia. Tão vazia.
Hoje fiquei observando os diferentes tipos de pessoas...
O modo como reagem, se vestem, se expressam... E foi me dando um enjôo tão grande! Talvez porque eu odeie shopping, mas acho que também porque não tinha me alimentado bem.
Deletei o orkut (mais uma vez). Não adianta... Aquelas pessoas vindo às minhas vistas depois do login... Ciúme, brigas, reivindicações! Só que junto a isso foi também o carinho e os mistérios que ali eu guardava. E acho isso meio triste.
Não sei mais onde procurar acalmar minha alma doida.
Depois de um "Abra a mente, Rafaela!", me senti o ser mais medíocre e ridículo do mundo. Fiquei pensando quanta gente me acha imatura. Assim me sinto. Por não saber quem sou, tento me moldar ao que são. Mas nunca dá certo. Dou as minhas explosões bestas, e faço com que as pessoas me vejam abalada, vulnerável. Sinto tanta raiva disso! Mas ao mesmo tempo tenho orgulho por mostrar os meus sentimentos.
Agora eu fico aqui isolada... Lembrando do que perdi!
O beijo da Cinderela se amargou.
O rock errou.
A gata garota não é mais sedutora.
Não faz mais sentido.
O amor já foi.
Os amigos disseram tchau... Alguns sem chorar.
As flores murcharam.
As palavras se perdem.
As promessas, onde foram parar?
As vontades... Cadê...? Quero aquelas de verdade! Não as inventadas.
Quero alguém que me queira.
Quero querer menos.
Quero ser mais.
Quero uma ...

Tuesday, April 29, 2008

Fantasmas do passado
Chamam meu nome sem cessar
Meu coração sangra, despedaçado
Minhas lágrimas me punem por amar.

A noite me acalenta,
Vejo um retrato invisível
Minha esperança me alimenta
Vem-me à memória um olhar imprevisível.

Busco incasavelmente os seus abraços
Lamento-me por não ser capaz
De seguir todos os seus passos,
e por tudo ser tão fugaz.

Nossa distância virou desavença:
Não posso sentir o seu calor.
Isso está virando uma doença...
Não posso mais viver com esse temor.

Uma nostalgia suicida
Transporta-me às lembranças adormecidas
Permaneço silenciosamente estarrecida
Sofrendo pelas promessas não cumpridas.

O desespero anuncia minha vulgar solidão
Minha alma busca por você
Ao soar dos sinos, ao final da escuridão,
Para que minha vida possa renascer.

(Data de 2006, quando eu ainda conseguia me apaixonar. Para uma pessoa que continua sendo especial... Apesar da história tumulada. Lembro de tudo com emoção, quanta tolice! Eu nunca fui especial daquele jeito... E ele foi!)

Monday, April 28, 2008

Wednesday, April 23, 2008

À moda Skylab, acompanhado de facas e cemitério.

Não agüentava mais lidar com pessoas (vivas)!
Ah! Quanta irritação! Tinham aflição, substâncias gosmentas, falavam demais, queriam demais. Achavam que sabiam demais.
Decidi trabalhar com enucleação. Agora sou mais feliz. Situo-me entre um corpo inerte, sangue e nervos ópticos. Blong blehn.



Lavava as louças alheias, por pura caridade.
Derrubou um pouco de espuma no chão.
Passou o pé, para esconder o delito.
Não deu outra!
O primeiro que passou levou um puta tombo.
E nunca mais andou.

Tuesday, April 22, 2008

Tempesta(r)de

A chuva já parou lá fora. Mas aqui dentro tá tudo banhado de angústia e uma euforia sem sentido (ou então com sentido desconhecido). Quando comecei a tracejar esses segmentos que traduzem o meu desespero, parece que senti um alento (puts, alento pode significar [no pl. ] orifícios nas ventas dos cavalos. Por que tudo me leva aos cavalos? Liberdade?! Submissão? Cara de forte, e olhos tristes?!), como se Deus colocasse um sol nessa chuva, para que surgisse um arco-íris. É tudo inútil! Eu nunca quis ser poeta(tisa). Eu SINTO, mas ao tentar expressar, escolho as palavras! Escolho a dramatização. Escolho a enfatização (como está sendo feito). Escolho um modo de ficar "por cima" na história, como o perdedor conformado pela derrota, porque coloca a dificuldade, a injustiça, o "azar" como intransponíveis. E ficar jogado, quieto, num canto escuro, é poético. PORRA! Poeta é perdedor? Não, não. Não sempre.
Às vezes temo que pela minha vulnerabilidade, consigam fazer mal a mim. Eu falo, como, sorrio... Quando o que quero é ficar só, vazia, morta. Não quero me tranqüilizar com a idéia de que a minha alma está inundada porque estou pressentindo uma tragédia. O céu negro me apresenta os bichinhos rodopiantes. E ah! Eu sou tão pequena... O mundo é lindo. Há tantos rios, matas, florestas, estrelas, nuvens, miragens; e os problemas nos condenam à cegueira espiritual. Eu ainda me sinto vez por outra como a criança que não adentrou a pelagem do coelho... De dentro da cartola, vejo a cidade como se fosse O Paraíso... Ainda me encanto... Por poucos segundos.
Não sei mais me apaixonar pelas pessoas. Elas não entendem das coisas. Trazem sempre a dor. Trocam sinais de calor para não serem abandonadas.
Onde mora o perigo? Onde está o castigo dessas almas auto-destruídas?
Se tudo que fosse falso se desfizesse, a minha mão ao apertar outra com fraternidade vivaria pó, meu sorriso se estilhaçaria feito vidro atingido por pedra. E eu seria careca.
Parece uma grande piada.
Tenho medo de que eu realmente tenha motivos para um dia sofrer com algo grave... Uma doença, um acidente. Não sei brincar com fogo. Não quero brincar. Tenho medo de me queimar. Mas o meu maior medo é de não ser ninguém, além de um número nas estatísticas. E infelizmente, é o que sou.
Não preciso de escândalos.
Não sou um mártir.
Não tenho um feriado dedicado a mim. (Se bem que um feriadinho cai bem!)
Acho que quero ser medíocre, sim, eu admito. O que tanto repudio, é o que quero.
Não quero tanta emoção.
Quando chega o ponto de ebulição... A água evapora?
E agora?
Nunca fui uma aluna dedicada às ciências... Eu trazia sempre bilhetes de preguiça.
O que quero eu enfim?
Fui convidada para essa vida louca... Ou intimidada? Que viagem ilógica!
E agora que existo, tenho muito MEDO do não-existir.
O Ami não sabe o que é medo... Nem distância... E eu é que finjo viver sem fronteiras!
Pode rir de mim, Ami!
Vamos ver o próximo capítulo.

Sunday, April 20, 2008

Victor Hugo - Os Miseráveis (Cap. XX - Os mortos têm razão e os vivos também)

"[...] Só sujeitando-se a qualquer eventualidade é que a utopia se transforma em insurreição, de protesto filosófico se converte em protesto armado e de Minerva em Palas. A utopia que se impacienta e se torna revolta sabe o que espera; normalmente vem cedo demais. Quando assim sucede, resigna-se e estoicamente aceita a catástrofe em vez do triunfo. Serve sem se queixar e até desculpando os que a renegam, e a sua magnanimidade consiste em sujeitar-se ao desamparo. É indomável contra o obstáculo e dócil para com a ingratidão.
Mas tratar-se-á realmente de ingratidão?
É, em relação ao gênero humano.
Não é, em relação ao indivíduo.
O progresso é próprio do homem. A vida geral da humanidade chama-se Progresso. O Progresso marcha, faz a grande viagem humana e terrestre para o celestial e o divino; tem os seus lugares de passagem, onde reúne o rebanho desgarrado; tem estações onde meditar diante de alguma Canaã, desvendando de súbito o seu mistério; tem as suas noites em que dorme, e é uma das pungentes ansiedades do pensador ver como a escuridão envolve a alma humana e anda às apalpadelas por entre as trevas, procurando, sem conseguir despertá-lo, o progresso adormecido.
"Decerto Deus morreu!" , disse um dia Gérard de Nerval a quem estas linhas escreve, confundindo o progresso com Deus e tomando a interrupção do movimento pela morte do Ser Supremo.
Não desesperemos contudo. O progresso desperta infalivelmente e em síntese quase poderíamos afirmar que ele marcha, mesmo ao dormir, à vista do seu incremento. Assim que o vemos de pé, logo nos dá idéia da sua elevada estrutura. Permanecer sempre tranqüilo é uma coisa tão impossível ao progresso como ao rio; não lhe ponham obstáculos, não lhe joguem pedras que lhe impeçam o curso; o obstáculo faz escumar a água e agitar a humanidade. Daí nascem certas perturbações é que se percebe o caminho andado. Enquanto a ordem, que nada mais é do que a paz universal, não se achar definitivamente estabelecida, enquanto não reinarem a harmonia e a unidade, o progresso terá revoluções por etapas.
Que é, portanto, o progresso? Já há pouco o dissemos: a vida permanente dos povos...
No entanto, acontece por vezes que a vida momentânea dos indivíduos opõe resistência à vida eterna do gênero humano.
Confessamo-lo sem ressentimento, o indivíduo tem seu interesse distinto e pode sem culpa transigir com ele e defendê-lo; o presente tem uma perdoável dose de egoísmo; a vida momentânea tem o seu direito e não é obrigada a sacrificar-se continuamente ao futuro. A geração atual, como as que a precederam, não é obrigada a apressar-se em relação às vindouras, que, afinal, não passam de suas iguais. “Eu existo”, murmurava esse alguém chamado Todos. “Sou jovem e amo, sou velho e quero descansar, sou pai de família, trabalho, prospero, sou bem sucedido nos meus negócios, sou proprietário, sou credor do Estado, sou feliz, tenho mulher e filhos, amo tudo isso, quero viver – deixem-sme sossegado.” Daí em certas ocasiões se verificar um frio profundo nas magnânimas vanguardas do gênero humano.
Para além de tudo isso, devemos concordar, a utopia sai da sua esfera brilhante para fazer a guerra. Ela, a verdade de amanhã, socorre-se dos mesmos meios que a mentira de ontem – a batalha. Ele, o futuro, procede como o passado. Ela, a idéia pura, converte-se em via de fato. Envolve-se no seu heroísmo uma grande dose de violência, pela qual é justo que responda, violência de ocasião e de expediente contrária a todos os princípios e pela qual é fatalmente punida.
A utopia-insurreição combate com o antigo código militar na mão; fuzila os espiões, executa os traidores, aniquila seres vivos e arremessa-os às trevas desconhecidas. Serve-se da morte, o que é grave. A utopia parece já não ter fé no esplendor, sua força irresistível e incorruptível. Fere com o ferro. Ora, nenhum ferro é simples. Toda espada tem dois gumes: quem ferir com um fere-se a si mesmo (pleonasmo?!) no outro..."

Wednesday, April 16, 2008

Filme de Terror

m e d o s a n g u e g r i t o s d o r
TERROR, TERROR, TERROR!

sentimento afigurado da realidade funesta... que se esconde no fundo da gaveta... arquivado, parado, esquecido, arquivo morto.

acabou.

Saturday, April 05, 2008

Semana

Cabelo
Isonomia
Os velhos pesadelos
As dúvidas
O relógio
As escadas
O sorriso cansado
As vozes:
Ásperas, masculinas, que medo, que tesão!
Femininas, enfadonhas, futuras
Desejo
Neurônios balançam-se,
Procuram distração
E no término
O gozo do "Cadê"?
As imagens,
Publicidade entrando por nossos rins e coração
Até enjoar o estômago
As flores de plástico não morrem,
Se assim imortais...
Por que não têm a mesma beleza das quê murcham no dia seguinte?
O perfume? A brevidade peculiar da vida? A flexibilidade de ser frágil?
Queremos os fracos
Temos medo da emoção
E nos transformamos em "racionais"
Com os bobos números, números, números,
Certezas, precisão
Fazemos disso um refúgio,
E mascarados fingimos não mais nos apaixonarmos pela vida,
As pessoas são mesmo canalhas,
Acompanham as outras por necessidades egoístas!
É?
"Como você tem uma voz bonita!"
"Se você soubesse o quanto te amo!"
Frases ditas por um menino especial (excepcional)
Que egoísmo teria ele?
Alguém que se contenta com um "Oi" e um beijo
Ou simplesmente um aceno
Ou ainda um abraço vindo do lado de dentro do portão
Como se fosse um prisioneiro
Descobri ali um gesto HUMANO
Não foi por simples comoção que fui atingida
Foi porque percebi que há sentimentos puros,
Sorrisos amarelos sinceros
Mãos que buscam o calor de alguém
Porque sabem mesmo o que é viver.
O cemitério amanhã.
Estarei mais perto do meu eu, e de vocês que moram dentro de mim.

Monday, March 17, 2008

17 de Março!

  • Um anjinho me fez conhecer o mundo há 18 anos atrás.
    Dizem que anjos têm asas e cabelos cacheados; o meu tinha força e emoção. Achava-me o mais precioso dos tesouros, quando eu era apenas um ser pequenino, ensangüentado e choroso.
    Quem dera pudesse ser parte dela a vida toda! Alguém com tanta coragem e amor, talvez bastasse para que eu (sobre)vivesse nesse Universo esquisito.
    Eu sei! A vida é louca!
    Tantos dias e noites difíceis...
    Tanta rebeldia minha que lhe causava dor; porque você sabia que o sofrimento vivia em cada célula do meu corpo.
    Tanto carinho...
    O tempo me tornou mulher, em todos os sentidos; mas sou ainda aquele bebê imaturo, e agora ando, corro, choro, sinto por aí, sem por fim compreender essa aventura.
    Hoje, em minha tentativa de ser responsável, tento estar séria em um lugar com pessoas que me vêem, mas não me sentem. Sou um número, ou ainda alguém que precisa fazer números. Mas não hesito: ignoro as pessoas, as paredes, o computador, para voltar-me ao meu EU e registrar que sinto você em mim, e que isso me faz molhar a folha com lágrimas inexplicáveis. Esqueço tudo o que passou. Não me preocupo com o amanhã. Só quero você em mim... Mãe!

"Ora quem é que não sabe
O que é se sentir sozinho
Mais sozinho que um elevador vazio
Achando a vida tão chata
Achando a vida mais chata do que um cantor de soul
Sou eu quem te refresca a memória
Quando te esqueces de regar as plantas
E de despendurar as roupas brancas no varal
Só faz milagres quem crê que faz milagres
Como transformar lágrima em canção
Vejo os pombos no asfalto
Eles sabem voar alto
Mas insistem em catar as migalhas do chão
Sei rir mostrando os dentes
E a língua afiada mais cortante
Que um velho blues
Mas hoje eu só quero chorar
Como um poeta do passado
E fumar o meu cigarro
Na falta de absinto
Eu sinto tanto, eu sinto muito, eu nada sinto
como dizia Madalena, replicando os fariseus
Quem dá aos pobres empresta
(a)Deus."

AAAAAAAMÉM.


Saturday, March 15, 2008

Olho para a folha. Branquinha. Com tantas linhas. Para quê tanto, se meu cérebro já não é capaz de processar emoções? Sinto um sufoco interior claustrofóbico por si só; e já não me sinto guiada pela euforia de soltar tinta da caneta até arrancar sensações das mais variadas espécies.
Sinto-me à beira de uma insensatez imunda. "É fato" que o mundo corre por direções estranhas; tanto é que chegamos a nos assustar, como se fôssemos fantasmas diante do espelho. Há quem diga que tenho uma insanidade patológica; e é então que meu peito se rasga com a idéia de que preciso ser medíocre ocasionalmente, se não quiser ser discriminada e apontada como "louca". Sei que tenho pensamentos desconexos, mas quem não os têm? "Dou a cara a tapa", mostro o que sinto, o que penso. E será isso tão ruim? Talvez implique desgaste (a "força" que as outras pessoas precisam para buscar a compreensão nas contrariedades humanas).

Ontem eu a vi, no meio da lama; aquele rosto tão bonito que fez presença no meu sonho do dia anterior. Treze de março. Lembrei de uma cartinha, e de uma frase que começava "quando tivermos 18 anos..."
Esses não tardaram. Nossa proximidade nos distanciou. E hoje sei que a culpa sempre foi minha. Crucifiquei-a por atitudes que vim a repetir mais tarde. É tanto sentimento emaranhado brigando em minhas lembranças, que não sei definir o que se passou dentro de mim e me fez destruir uma amizade que carregava anos de dedicação. Não sei se ela me perdoaria, nem ao menos posso imaginar uma conversa com ela. E isso me machuca; talvez seja este o preço.
Eu ando inconseqüente, buscando alento no que me ludibria. Não adianta. As pessoas envolvem-se em prazeres (maldito hedonismo), e sentem a pseudo idéia de satisfação, como no sexo, como em uma bebida, uma droga, um beijo. Mas no fim, seja de uma noite ou de uma vida enfim, terminaremos SOZINHOS.



Segunda eu fico mais velhinha!!!



Ritinha, sei que você é minha única leitora...
Sei que preciso dividir sentimentos com alguém...
Eu não escreveria se não tivesse alguém para ler!
E acho que não viveria se não tivesse a quem amar...
Eu amo você!
Fiquei absolutamente feliz quando te vi... Que não queria te largar mais!
Eu agradeço muito sua amizade...
Suas tentativas de me entender...
Até quando trilho caminhos errados... Querendo que meus problemas virem "fumaça"...
Você é importante... Especial! Meu abrigo... Minha Rita... Baiana sou eu! Hhuahhauhuahua, e eu sabiiia que você ia chamar meu dread de baiano! =]
Linda...
Não some nunca, promete!?

Saturday, March 08, 2008

EU, ROBÔA

Já pensou você vir ao mundo programado? Perfeitamente direcionado às suas tarefas? Executando com precisão suas ações?
Que Universo seria o seu?
O "sentir" não atrapalharia o desempenho. O "coração" não lhe faria perder tardes de sábado, com palavras e euforia, a querer poetizar a simples respiração.
Seria tudo estável, cinza e cheirando à escritório. O fim seria o enferrujar "em fogo baixo", até que ocorresse falência múltipla dos segmentos. E você cairia ao chão, e seria escravo da inexistência eterna. Pior: ninguém choraria sua morte.

Seria melhor assim, meu querido progenitor?

Aquele tapa fez todo o meu sangue ferver, a ponto de transbordar pelo chão da cozinha. Mas me calei, nos calamos; desde segunda-feira. Somos humanos, e o engraçado é que temos as mesmas falhas, como minha mãe dizia no mesmo dia à mesa do café: "Não adianta você querer consertar essas coisas nela; ela puxou a você!"
Sei que nosso amor e ligação são imensos. Que sejam perdoadas nossa agressividade desnecessária, e nossa dificuldade de lidar com impulsos e sentimentos. Vamos ficar sem trocar palavras até quando? Não precisamos disso!

Eu ando tão ansiosa e confusa, que já não sei nem mesmo a diferença entre um BO e um OB!

E agora, vivo numa geladeira isolada do mundo com uma loira e um homem. Tá sendo legal!

Monday, February 18, 2008

Fim...

Eu já sei onde acabam todos os caminhos...
e onde começam as lágrimas.
A esperança brinca saudavelmente em uma bicicleta, pra depois bater a cabeça na sarjeta...
será que se o sr. estivesse aqui comigo seria diferente, vô?!
não sei, quando a mãe acordou incrédula contanto que tinha sonhado contigo, não senti tristeza, nem vontade de chorar; porque eu não sei como nos relacionaríamos hoje. Acho que não seria tão bonito, quanto um passeio em uma praça no seu cangote (que é minha única recordação). Eu cresci e me revcoltei, virei um monstro. Acho que a gente iria brigar tanto... Ou eu aprenderia a ser mais humana com seu amor?! Não sei, mas não fiquei abalada... Não sei qual o seu cheiro, não sei mais o que é um abraço seu. E o seu carinho que todos pintam como imenso... talvez só fosse me deixar um pouco mais mal acostumada com essa vida de sofrimento.
Desejo de todo meu coração que o sr. esteja em paz.
Eu também queria estar assim...
Isso aqui na terra não é vida, não!
Isso tudo é mais fétido que a morte.
As pessoas inventam alegrias pra "mascarar" a face cruel do existir.
Alguns usam o poder que consquistam, para se sentirem superiores e menos angustiados.
Alguns desejam, simplesmente pelo prazer de desejar; o objeto em si carrega uma pequena fração de importância.
Alguns procuram fins, para justificar os meios.
E eu que já não quero nenhum meio, escolho o fim.

Sunday, February 17, 2008

Excertos de "Quem ama não adoece" - Dr. Marco Aurélio Dias da Silva

A angústia dos primeiros anos

"[...] A explosão inegavelmente violenta do aconchego do útero materno constitui nosso grande e primeiro trauma. Há quem tenha dito - e provavelmente está correto - que temeríamos mais o nascimento que a morte, se dele tivéssemos consciência.
Para Melanie Klein, a dolorosa experiência do nascimento tem o efeito de conferir ao mundo externo um aspecto hostil e de voltar contra ele, e tudo que o intriga (inclusive o seio materno, de fato o mais importante e primeiro objeto externo), os instintos de defesa e destruição do bebê. O sofrimento (angústia) criado por essa ambivalência - necessitar (amar) o seio materno e querer destruí-lo (odiar), ao lado do temor da perda, pela consciência de sua necessidade vital - será certamente a raiz maior de nossa insegurança, de nossos medos, da luta, que desde então se instala em nosso interior, entre os instintos da vida e da morte.
[...] Por volta do 8º mês de vida, no entanto, o grau de maturidade do sistema nervoso começa a possibilitar ao bebê a percepção do mundo externo como algo separado de si próprio. Por conseguinte, dá-se o estabelecimento de vínculos afetivos, entre eles o reconhecimento da figura materna como fonte de satisfação e segurança. Mas, se por um lado há esse reconhecimento, por outro se instala também, no espírito do bebê, a consciência de que a mãe - ou quem lhe faça as vezes - é um outro ser - separado dele.
A descoberta dessa separação, dizem os psicanalistas, provoca no bebê uma sensação de perda e frustração, traduzida em angústia e dor psíquica. A tal frustração, que seria universal, dão os psicanalistas o nome de "angústia de separação". Instala-se a partir daí uma sensação de desamparo e insegurança que nos acompanhará por toda a vida, gerando uma necessidade vital de aconchego, carinho e amor que passam a constituir - mesmo que nem todos tenham consciência disso - a principal aspiração de nossa vida e uma condição indispensável para a felicidade e a saúde.
Do que foi exposto, creio ter ficado claro ao leitor que da angústia de separação todos padecemos, bem como de suas conseqüências. O que seria "normal" e universal complica-se, no entanto, quando a dor psíquica por ela gerada ultrapassa a capacidade da estrutura emocional da criança de absorvê-la e com ela conviver. Isso pode ocorrer, seja porque o bebê tem sua estrutura emocional mais frágil por determinantes genéticos, independendo pois do grau de zelo e amor maternos, seja por real ausência, inadequação ou incapacidade da mãe (ou de quem lhe faça as vezes) de transmitir presença, afeto e segurança.
Para fazer face a esse nível intolerável de angústia, a criança reage desenvolvendo um conceito grandioso e hipertrofiado de si mesmo ou uma imagem idealizada de perfeição absoluta. Em quaisquer dessas hipóteses, ressalta Sampaio "o que vai marcar essa personalidade será a impossibilidade de estabelecer qualquer tipo de relação em que veja o outro que não a si próprio." Será, pois, uma personalidade 'narcisista', com grandes dificuldades de estabelcer vínculos afetivos, voltada para si mesma e, paradoxalmente, bastante insegura quanto ao próprio valor.
A "angústia da separação", não é, contudo, a causa única dessa insegurança. A partir dela, isto é, a partir do momento em que a criança vai tomando conta de que o mundo não se concentra nela mesma e vai tomando contato com os outros, começa também o caminho de seu crescimento e desenvolvimento como pessoa. Lógico que as peculiaridades e potencialidades individuais, ligadas ao padrão genético de cada um, serão importantes. Mas, em meu modo de ver, de importância maior será a influência do contato com os adultos que cercam a criança [...]"


O medo da felicidade

"[...] Algo parecido, já dissemos acima, ocorre com o bebê em relação ao seio materno: tanto dele necessita, tanto teme perdê-lo, que chega a lhe ser hostil por reconhecer seu poder de causar-lhe sofrimento. Gikovate descreve esse medo como uma "sensação de iminência de catástrofe que sempre acompanha nossos momentos mais felizes." [...] É como se, no fundo, não nos julgássemos merecedores daquela felicidade. Ou seja, não conseguimos vivenciá-la sem culpa, mesmo que uma culpa inconsciente. E vivida com esse sentimento de culpa, a felicidade se esvai, não existe.
[...] a felicidade seria pura e simplesmente a ausência de sofrimento. Lembro, a esse respeito, a citação de Goethe, segundo a qual "nada nos é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos."
[...] Essa relação que tento estabelecer - entre felicidade e morte - já foi notada por outros autores e fica bem evidente na expressão "podia morrer agora" que muitas vezes empregamos nos momentos felizes. Talvez quem melhor resumiu a ambivalência e a angústia que a felicidade pode provocar tenha sido o pensador espanhol Julian Marías, quando disse que "a felicidade é extremamente vulnerável. Ela é um risco, e só como risco deve ser assumida."

Wednesday, February 13, 2008

Tremulamente estável

Meu bolo fumegante se movia com os tentáculos do Davy Jones.

Um cheiro me deixou completamente entorpecida...
Que delirante é realmente cultivar afeto por alguém!

Sozinha eu penso... Cadê eu?
Cadê?
O que
será
de
mim?
onde vou
me
encontrar
e
sentir
um encaixe
entre
meu corpo
e minha
alma?

Preciso destruir o quê mais amo?

Tuesday, February 05, 2008

Ca ÓTICA - veja só!

Pessoas certinhas; coisas diferentes; sentimentos de orgulho pelo sofrimento passado; o lado dark da bíblia; ciúme (que tento controlar ao máximo, contornando meus pensamentos, dizendo "não é bem assim"... "veja bem" ... "leve isso em consideração"); o comportamento humano analisado em um confinamento; stress; um livro que em poucas páginas me ensinou porque temos tanta necessidade de receber afeto; o nascimento; a reprodução; a vida; o trabalho; o ser humano moderno longe da tecnologia; o medo; a dúvida; a esperança; o egoísmo; o exibicionismo; relacionamentos; pesadelos; sentimentos desfeitos; morte...

tanto pensei...
tanto pude aprender.
mas ainda vivo alienada...
buscando acalento em pensamentos, na memória de momentos que elevaram meu ego... egoísmo! Narcisismo... eu também soube tudo o que precisava saber sobre isso, e onde exatamente me encaixo nessa questão!
Eu vou levar ainda muitos posts pra dizer tudo o que quero... e organizar as idéias.
Por enquanto ainda sou parte do ontem:
Lama... Água... Chuva... Problemas... Estrada.
Tudo... Foi loucura!
Mas a mais louca aventura foi ter me perdido dentro de mim.
Tá difícil de agüentar. Por vezes dá pra me tapear... Por outras, desisto de mim. Tá foda!

Saturday, January 19, 2008

ARRRRnaldo canta por mim

Quando eu quis você
Você não me quis
Quando eu fui feliz
Você foi ruim
Quando foi afim
Não soube se dar
Eu estava lá mas você não viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo em mim

Mas se eu já me perdi
Como vou me perder?
Se eu já me perdi
Quando perdi você
Quando eu quis você
Você desprezou
Quando se acabou
Quis voltar atrás
Quando eu fui falar
Minha voz falhou
Tudo se apagou, você não me viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo em mim
Mas se eu já me perdi
Como vou me perder?
Se eu já me perdi
Quando perdi você
Mas se eu já te perdi
Como vou me perder?


- - -


(Lupcínio Rodrigues)
Agora você vai ouvir aquilo que merece
As coisas ficam muito boas quando a gente esquece
Mas acontece que eu não esqueci a sua covardia
A sua ingratidão
A judiaria que você um dia
Fez pro coitadinho do meu coração
Essas palavras que eu estou lhe falando
Têm uma verdade pura, nua e crua
Eu estou lhe mostrando a porta da rua
Pra que você saia sem eu lhe bater
Já chega o tempo que eu fiquei sozinho
Que eu fiquei sofrendo, que eu fiquei chorando
Agora quando eu estou melhorando
Você me aparece pra me aborrecer


- - -

E eu me lembro bem, como se fosse hoje!
Meu corpo estremecendo, meus dentes quase se quebrando e a vontade de chorar crescia, por sentir tanto frio.
Meia noite ou mais, toda molhada, implorando por um abraço, mas você ouvia?
Sem equilíbrio, procurava alguém pra me apoiar...
E acabava no chão.
Não tinha nada de carinho, parece que você só me enxergava mesmo minha feminilidade. E esperava eu abrir as portas pra entrar, depois sair segundo sua vontade, e sem dizer adeus, ou tchau, já que dizia não gostar do adeus.
Tudo o que eu dizia, era "rodeio pra enfim nada dizer".
Tudo que eu sentia nada significava.
Nem eu consigo imaginar o quanto eu sofri.
Noites, pesadelos, lembranças, tanta frustração.
Quando eu consigo esquecer um pouco...
Olhar por outro ângulo...
Ter sentimentos totalmente diferentes...
Sou convidada a mexer em tudo aquilo?
Não quero mais.
Eu cansei.
Não tenho mais medo...
O quê tinha a perder, já perdi...
O que mais prezava já se foi.
A saudade já não existe...
Passou, passou.
Agora chega!




Friday, January 11, 2008

SRG - versos vezes três

(Não há nada melhor no mundo do quê o sorriso e as brincadeiras dos dois amores da minha vida!)

Se não há o quê pensar
Sobre o que vai fazer
Olhe para o Sol
Para esclarecer
E cegar os seus medos
E derreter os seus dedos
Espetar o seu ombro
Com agulha de um mongo
Quando eu for assinar
Vou deixar minhas mãos circularem
Depois que cagarem
Ou desenharem
Ou peidarem
Ou "enquadradarem"
Ou *-.~^´* (símbolo misterioso)


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