Wednesday, April 23, 2008

À moda Skylab, acompanhado de facas e cemitério.

Não agüentava mais lidar com pessoas (vivas)!
Ah! Quanta irritação! Tinham aflição, substâncias gosmentas, falavam demais, queriam demais. Achavam que sabiam demais.
Decidi trabalhar com enucleação. Agora sou mais feliz. Situo-me entre um corpo inerte, sangue e nervos ópticos. Blong blehn.



Lavava as louças alheias, por pura caridade.
Derrubou um pouco de espuma no chão.
Passou o pé, para esconder o delito.
Não deu outra!
O primeiro que passou levou um puta tombo.
E nunca mais andou.

Tuesday, April 22, 2008

Tempesta(r)de

A chuva já parou lá fora. Mas aqui dentro tá tudo banhado de angústia e uma euforia sem sentido (ou então com sentido desconhecido). Quando comecei a tracejar esses segmentos que traduzem o meu desespero, parece que senti um alento (puts, alento pode significar [no pl. ] orifícios nas ventas dos cavalos. Por que tudo me leva aos cavalos? Liberdade?! Submissão? Cara de forte, e olhos tristes?!), como se Deus colocasse um sol nessa chuva, para que surgisse um arco-íris. É tudo inútil! Eu nunca quis ser poeta(tisa). Eu SINTO, mas ao tentar expressar, escolho as palavras! Escolho a dramatização. Escolho a enfatização (como está sendo feito). Escolho um modo de ficar "por cima" na história, como o perdedor conformado pela derrota, porque coloca a dificuldade, a injustiça, o "azar" como intransponíveis. E ficar jogado, quieto, num canto escuro, é poético. PORRA! Poeta é perdedor? Não, não. Não sempre.
Às vezes temo que pela minha vulnerabilidade, consigam fazer mal a mim. Eu falo, como, sorrio... Quando o que quero é ficar só, vazia, morta. Não quero me tranqüilizar com a idéia de que a minha alma está inundada porque estou pressentindo uma tragédia. O céu negro me apresenta os bichinhos rodopiantes. E ah! Eu sou tão pequena... O mundo é lindo. Há tantos rios, matas, florestas, estrelas, nuvens, miragens; e os problemas nos condenam à cegueira espiritual. Eu ainda me sinto vez por outra como a criança que não adentrou a pelagem do coelho... De dentro da cartola, vejo a cidade como se fosse O Paraíso... Ainda me encanto... Por poucos segundos.
Não sei mais me apaixonar pelas pessoas. Elas não entendem das coisas. Trazem sempre a dor. Trocam sinais de calor para não serem abandonadas.
Onde mora o perigo? Onde está o castigo dessas almas auto-destruídas?
Se tudo que fosse falso se desfizesse, a minha mão ao apertar outra com fraternidade vivaria pó, meu sorriso se estilhaçaria feito vidro atingido por pedra. E eu seria careca.
Parece uma grande piada.
Tenho medo de que eu realmente tenha motivos para um dia sofrer com algo grave... Uma doença, um acidente. Não sei brincar com fogo. Não quero brincar. Tenho medo de me queimar. Mas o meu maior medo é de não ser ninguém, além de um número nas estatísticas. E infelizmente, é o que sou.
Não preciso de escândalos.
Não sou um mártir.
Não tenho um feriado dedicado a mim. (Se bem que um feriadinho cai bem!)
Acho que quero ser medíocre, sim, eu admito. O que tanto repudio, é o que quero.
Não quero tanta emoção.
Quando chega o ponto de ebulição... A água evapora?
E agora?
Nunca fui uma aluna dedicada às ciências... Eu trazia sempre bilhetes de preguiça.
O que quero eu enfim?
Fui convidada para essa vida louca... Ou intimidada? Que viagem ilógica!
E agora que existo, tenho muito MEDO do não-existir.
O Ami não sabe o que é medo... Nem distância... E eu é que finjo viver sem fronteiras!
Pode rir de mim, Ami!
Vamos ver o próximo capítulo.

Sunday, April 20, 2008

Victor Hugo - Os Miseráveis (Cap. XX - Os mortos têm razão e os vivos também)

"[...] Só sujeitando-se a qualquer eventualidade é que a utopia se transforma em insurreição, de protesto filosófico se converte em protesto armado e de Minerva em Palas. A utopia que se impacienta e se torna revolta sabe o que espera; normalmente vem cedo demais. Quando assim sucede, resigna-se e estoicamente aceita a catástrofe em vez do triunfo. Serve sem se queixar e até desculpando os que a renegam, e a sua magnanimidade consiste em sujeitar-se ao desamparo. É indomável contra o obstáculo e dócil para com a ingratidão.
Mas tratar-se-á realmente de ingratidão?
É, em relação ao gênero humano.
Não é, em relação ao indivíduo.
O progresso é próprio do homem. A vida geral da humanidade chama-se Progresso. O Progresso marcha, faz a grande viagem humana e terrestre para o celestial e o divino; tem os seus lugares de passagem, onde reúne o rebanho desgarrado; tem estações onde meditar diante de alguma Canaã, desvendando de súbito o seu mistério; tem as suas noites em que dorme, e é uma das pungentes ansiedades do pensador ver como a escuridão envolve a alma humana e anda às apalpadelas por entre as trevas, procurando, sem conseguir despertá-lo, o progresso adormecido.
"Decerto Deus morreu!" , disse um dia Gérard de Nerval a quem estas linhas escreve, confundindo o progresso com Deus e tomando a interrupção do movimento pela morte do Ser Supremo.
Não desesperemos contudo. O progresso desperta infalivelmente e em síntese quase poderíamos afirmar que ele marcha, mesmo ao dormir, à vista do seu incremento. Assim que o vemos de pé, logo nos dá idéia da sua elevada estrutura. Permanecer sempre tranqüilo é uma coisa tão impossível ao progresso como ao rio; não lhe ponham obstáculos, não lhe joguem pedras que lhe impeçam o curso; o obstáculo faz escumar a água e agitar a humanidade. Daí nascem certas perturbações é que se percebe o caminho andado. Enquanto a ordem, que nada mais é do que a paz universal, não se achar definitivamente estabelecida, enquanto não reinarem a harmonia e a unidade, o progresso terá revoluções por etapas.
Que é, portanto, o progresso? Já há pouco o dissemos: a vida permanente dos povos...
No entanto, acontece por vezes que a vida momentânea dos indivíduos opõe resistência à vida eterna do gênero humano.
Confessamo-lo sem ressentimento, o indivíduo tem seu interesse distinto e pode sem culpa transigir com ele e defendê-lo; o presente tem uma perdoável dose de egoísmo; a vida momentânea tem o seu direito e não é obrigada a sacrificar-se continuamente ao futuro. A geração atual, como as que a precederam, não é obrigada a apressar-se em relação às vindouras, que, afinal, não passam de suas iguais. “Eu existo”, murmurava esse alguém chamado Todos. “Sou jovem e amo, sou velho e quero descansar, sou pai de família, trabalho, prospero, sou bem sucedido nos meus negócios, sou proprietário, sou credor do Estado, sou feliz, tenho mulher e filhos, amo tudo isso, quero viver – deixem-sme sossegado.” Daí em certas ocasiões se verificar um frio profundo nas magnânimas vanguardas do gênero humano.
Para além de tudo isso, devemos concordar, a utopia sai da sua esfera brilhante para fazer a guerra. Ela, a verdade de amanhã, socorre-se dos mesmos meios que a mentira de ontem – a batalha. Ele, o futuro, procede como o passado. Ela, a idéia pura, converte-se em via de fato. Envolve-se no seu heroísmo uma grande dose de violência, pela qual é justo que responda, violência de ocasião e de expediente contrária a todos os princípios e pela qual é fatalmente punida.
A utopia-insurreição combate com o antigo código militar na mão; fuzila os espiões, executa os traidores, aniquila seres vivos e arremessa-os às trevas desconhecidas. Serve-se da morte, o que é grave. A utopia parece já não ter fé no esplendor, sua força irresistível e incorruptível. Fere com o ferro. Ora, nenhum ferro é simples. Toda espada tem dois gumes: quem ferir com um fere-se a si mesmo (pleonasmo?!) no outro..."

Wednesday, April 16, 2008

Filme de Terror

m e d o s a n g u e g r i t o s d o r
TERROR, TERROR, TERROR!

sentimento afigurado da realidade funesta... que se esconde no fundo da gaveta... arquivado, parado, esquecido, arquivo morto.

acabou.

Saturday, April 05, 2008

Semana

Cabelo
Isonomia
Os velhos pesadelos
As dúvidas
O relógio
As escadas
O sorriso cansado
As vozes:
Ásperas, masculinas, que medo, que tesão!
Femininas, enfadonhas, futuras
Desejo
Neurônios balançam-se,
Procuram distração
E no término
O gozo do "Cadê"?
As imagens,
Publicidade entrando por nossos rins e coração
Até enjoar o estômago
As flores de plástico não morrem,
Se assim imortais...
Por que não têm a mesma beleza das quê murcham no dia seguinte?
O perfume? A brevidade peculiar da vida? A flexibilidade de ser frágil?
Queremos os fracos
Temos medo da emoção
E nos transformamos em "racionais"
Com os bobos números, números, números,
Certezas, precisão
Fazemos disso um refúgio,
E mascarados fingimos não mais nos apaixonarmos pela vida,
As pessoas são mesmo canalhas,
Acompanham as outras por necessidades egoístas!
É?
"Como você tem uma voz bonita!"
"Se você soubesse o quanto te amo!"
Frases ditas por um menino especial (excepcional)
Que egoísmo teria ele?
Alguém que se contenta com um "Oi" e um beijo
Ou simplesmente um aceno
Ou ainda um abraço vindo do lado de dentro do portão
Como se fosse um prisioneiro
Descobri ali um gesto HUMANO
Não foi por simples comoção que fui atingida
Foi porque percebi que há sentimentos puros,
Sorrisos amarelos sinceros
Mãos que buscam o calor de alguém
Porque sabem mesmo o que é viver.
O cemitério amanhã.
Estarei mais perto do meu eu, e de vocês que moram dentro de mim.

Monday, March 17, 2008

17 de Março!

  • Um anjinho me fez conhecer o mundo há 18 anos atrás.
    Dizem que anjos têm asas e cabelos cacheados; o meu tinha força e emoção. Achava-me o mais precioso dos tesouros, quando eu era apenas um ser pequenino, ensangüentado e choroso.
    Quem dera pudesse ser parte dela a vida toda! Alguém com tanta coragem e amor, talvez bastasse para que eu (sobre)vivesse nesse Universo esquisito.
    Eu sei! A vida é louca!
    Tantos dias e noites difíceis...
    Tanta rebeldia minha que lhe causava dor; porque você sabia que o sofrimento vivia em cada célula do meu corpo.
    Tanto carinho...
    O tempo me tornou mulher, em todos os sentidos; mas sou ainda aquele bebê imaturo, e agora ando, corro, choro, sinto por aí, sem por fim compreender essa aventura.
    Hoje, em minha tentativa de ser responsável, tento estar séria em um lugar com pessoas que me vêem, mas não me sentem. Sou um número, ou ainda alguém que precisa fazer números. Mas não hesito: ignoro as pessoas, as paredes, o computador, para voltar-me ao meu EU e registrar que sinto você em mim, e que isso me faz molhar a folha com lágrimas inexplicáveis. Esqueço tudo o que passou. Não me preocupo com o amanhã. Só quero você em mim... Mãe!

"Ora quem é que não sabe
O que é se sentir sozinho
Mais sozinho que um elevador vazio
Achando a vida tão chata
Achando a vida mais chata do que um cantor de soul
Sou eu quem te refresca a memória
Quando te esqueces de regar as plantas
E de despendurar as roupas brancas no varal
Só faz milagres quem crê que faz milagres
Como transformar lágrima em canção
Vejo os pombos no asfalto
Eles sabem voar alto
Mas insistem em catar as migalhas do chão
Sei rir mostrando os dentes
E a língua afiada mais cortante
Que um velho blues
Mas hoje eu só quero chorar
Como um poeta do passado
E fumar o meu cigarro
Na falta de absinto
Eu sinto tanto, eu sinto muito, eu nada sinto
como dizia Madalena, replicando os fariseus
Quem dá aos pobres empresta
(a)Deus."

AAAAAAAMÉM.


Saturday, March 15, 2008

Olho para a folha. Branquinha. Com tantas linhas. Para quê tanto, se meu cérebro já não é capaz de processar emoções? Sinto um sufoco interior claustrofóbico por si só; e já não me sinto guiada pela euforia de soltar tinta da caneta até arrancar sensações das mais variadas espécies.
Sinto-me à beira de uma insensatez imunda. "É fato" que o mundo corre por direções estranhas; tanto é que chegamos a nos assustar, como se fôssemos fantasmas diante do espelho. Há quem diga que tenho uma insanidade patológica; e é então que meu peito se rasga com a idéia de que preciso ser medíocre ocasionalmente, se não quiser ser discriminada e apontada como "louca". Sei que tenho pensamentos desconexos, mas quem não os têm? "Dou a cara a tapa", mostro o que sinto, o que penso. E será isso tão ruim? Talvez implique desgaste (a "força" que as outras pessoas precisam para buscar a compreensão nas contrariedades humanas).

Ontem eu a vi, no meio da lama; aquele rosto tão bonito que fez presença no meu sonho do dia anterior. Treze de março. Lembrei de uma cartinha, e de uma frase que começava "quando tivermos 18 anos..."
Esses não tardaram. Nossa proximidade nos distanciou. E hoje sei que a culpa sempre foi minha. Crucifiquei-a por atitudes que vim a repetir mais tarde. É tanto sentimento emaranhado brigando em minhas lembranças, que não sei definir o que se passou dentro de mim e me fez destruir uma amizade que carregava anos de dedicação. Não sei se ela me perdoaria, nem ao menos posso imaginar uma conversa com ela. E isso me machuca; talvez seja este o preço.
Eu ando inconseqüente, buscando alento no que me ludibria. Não adianta. As pessoas envolvem-se em prazeres (maldito hedonismo), e sentem a pseudo idéia de satisfação, como no sexo, como em uma bebida, uma droga, um beijo. Mas no fim, seja de uma noite ou de uma vida enfim, terminaremos SOZINHOS.



Segunda eu fico mais velhinha!!!



Ritinha, sei que você é minha única leitora...
Sei que preciso dividir sentimentos com alguém...
Eu não escreveria se não tivesse alguém para ler!
E acho que não viveria se não tivesse a quem amar...
Eu amo você!
Fiquei absolutamente feliz quando te vi... Que não queria te largar mais!
Eu agradeço muito sua amizade...
Suas tentativas de me entender...
Até quando trilho caminhos errados... Querendo que meus problemas virem "fumaça"...
Você é importante... Especial! Meu abrigo... Minha Rita... Baiana sou eu! Hhuahhauhuahua, e eu sabiiia que você ia chamar meu dread de baiano! =]
Linda...
Não some nunca, promete!?

Saturday, March 08, 2008

EU, ROBÔA

Já pensou você vir ao mundo programado? Perfeitamente direcionado às suas tarefas? Executando com precisão suas ações?
Que Universo seria o seu?
O "sentir" não atrapalharia o desempenho. O "coração" não lhe faria perder tardes de sábado, com palavras e euforia, a querer poetizar a simples respiração.
Seria tudo estável, cinza e cheirando à escritório. O fim seria o enferrujar "em fogo baixo", até que ocorresse falência múltipla dos segmentos. E você cairia ao chão, e seria escravo da inexistência eterna. Pior: ninguém choraria sua morte.

Seria melhor assim, meu querido progenitor?

Aquele tapa fez todo o meu sangue ferver, a ponto de transbordar pelo chão da cozinha. Mas me calei, nos calamos; desde segunda-feira. Somos humanos, e o engraçado é que temos as mesmas falhas, como minha mãe dizia no mesmo dia à mesa do café: "Não adianta você querer consertar essas coisas nela; ela puxou a você!"
Sei que nosso amor e ligação são imensos. Que sejam perdoadas nossa agressividade desnecessária, e nossa dificuldade de lidar com impulsos e sentimentos. Vamos ficar sem trocar palavras até quando? Não precisamos disso!

Eu ando tão ansiosa e confusa, que já não sei nem mesmo a diferença entre um BO e um OB!

E agora, vivo numa geladeira isolada do mundo com uma loira e um homem. Tá sendo legal!

Monday, February 18, 2008

Fim...

Eu já sei onde acabam todos os caminhos...
e onde começam as lágrimas.
A esperança brinca saudavelmente em uma bicicleta, pra depois bater a cabeça na sarjeta...
será que se o sr. estivesse aqui comigo seria diferente, vô?!
não sei, quando a mãe acordou incrédula contanto que tinha sonhado contigo, não senti tristeza, nem vontade de chorar; porque eu não sei como nos relacionaríamos hoje. Acho que não seria tão bonito, quanto um passeio em uma praça no seu cangote (que é minha única recordação). Eu cresci e me revcoltei, virei um monstro. Acho que a gente iria brigar tanto... Ou eu aprenderia a ser mais humana com seu amor?! Não sei, mas não fiquei abalada... Não sei qual o seu cheiro, não sei mais o que é um abraço seu. E o seu carinho que todos pintam como imenso... talvez só fosse me deixar um pouco mais mal acostumada com essa vida de sofrimento.
Desejo de todo meu coração que o sr. esteja em paz.
Eu também queria estar assim...
Isso aqui na terra não é vida, não!
Isso tudo é mais fétido que a morte.
As pessoas inventam alegrias pra "mascarar" a face cruel do existir.
Alguns usam o poder que consquistam, para se sentirem superiores e menos angustiados.
Alguns desejam, simplesmente pelo prazer de desejar; o objeto em si carrega uma pequena fração de importância.
Alguns procuram fins, para justificar os meios.
E eu que já não quero nenhum meio, escolho o fim.

Sunday, February 17, 2008

Excertos de "Quem ama não adoece" - Dr. Marco Aurélio Dias da Silva

A angústia dos primeiros anos

"[...] A explosão inegavelmente violenta do aconchego do útero materno constitui nosso grande e primeiro trauma. Há quem tenha dito - e provavelmente está correto - que temeríamos mais o nascimento que a morte, se dele tivéssemos consciência.
Para Melanie Klein, a dolorosa experiência do nascimento tem o efeito de conferir ao mundo externo um aspecto hostil e de voltar contra ele, e tudo que o intriga (inclusive o seio materno, de fato o mais importante e primeiro objeto externo), os instintos de defesa e destruição do bebê. O sofrimento (angústia) criado por essa ambivalência - necessitar (amar) o seio materno e querer destruí-lo (odiar), ao lado do temor da perda, pela consciência de sua necessidade vital - será certamente a raiz maior de nossa insegurança, de nossos medos, da luta, que desde então se instala em nosso interior, entre os instintos da vida e da morte.
[...] Por volta do 8º mês de vida, no entanto, o grau de maturidade do sistema nervoso começa a possibilitar ao bebê a percepção do mundo externo como algo separado de si próprio. Por conseguinte, dá-se o estabelecimento de vínculos afetivos, entre eles o reconhecimento da figura materna como fonte de satisfação e segurança. Mas, se por um lado há esse reconhecimento, por outro se instala também, no espírito do bebê, a consciência de que a mãe - ou quem lhe faça as vezes - é um outro ser - separado dele.
A descoberta dessa separação, dizem os psicanalistas, provoca no bebê uma sensação de perda e frustração, traduzida em angústia e dor psíquica. A tal frustração, que seria universal, dão os psicanalistas o nome de "angústia de separação". Instala-se a partir daí uma sensação de desamparo e insegurança que nos acompanhará por toda a vida, gerando uma necessidade vital de aconchego, carinho e amor que passam a constituir - mesmo que nem todos tenham consciência disso - a principal aspiração de nossa vida e uma condição indispensável para a felicidade e a saúde.
Do que foi exposto, creio ter ficado claro ao leitor que da angústia de separação todos padecemos, bem como de suas conseqüências. O que seria "normal" e universal complica-se, no entanto, quando a dor psíquica por ela gerada ultrapassa a capacidade da estrutura emocional da criança de absorvê-la e com ela conviver. Isso pode ocorrer, seja porque o bebê tem sua estrutura emocional mais frágil por determinantes genéticos, independendo pois do grau de zelo e amor maternos, seja por real ausência, inadequação ou incapacidade da mãe (ou de quem lhe faça as vezes) de transmitir presença, afeto e segurança.
Para fazer face a esse nível intolerável de angústia, a criança reage desenvolvendo um conceito grandioso e hipertrofiado de si mesmo ou uma imagem idealizada de perfeição absoluta. Em quaisquer dessas hipóteses, ressalta Sampaio "o que vai marcar essa personalidade será a impossibilidade de estabelecer qualquer tipo de relação em que veja o outro que não a si próprio." Será, pois, uma personalidade 'narcisista', com grandes dificuldades de estabelcer vínculos afetivos, voltada para si mesma e, paradoxalmente, bastante insegura quanto ao próprio valor.
A "angústia da separação", não é, contudo, a causa única dessa insegurança. A partir dela, isto é, a partir do momento em que a criança vai tomando conta de que o mundo não se concentra nela mesma e vai tomando contato com os outros, começa também o caminho de seu crescimento e desenvolvimento como pessoa. Lógico que as peculiaridades e potencialidades individuais, ligadas ao padrão genético de cada um, serão importantes. Mas, em meu modo de ver, de importância maior será a influência do contato com os adultos que cercam a criança [...]"


O medo da felicidade

"[...] Algo parecido, já dissemos acima, ocorre com o bebê em relação ao seio materno: tanto dele necessita, tanto teme perdê-lo, que chega a lhe ser hostil por reconhecer seu poder de causar-lhe sofrimento. Gikovate descreve esse medo como uma "sensação de iminência de catástrofe que sempre acompanha nossos momentos mais felizes." [...] É como se, no fundo, não nos julgássemos merecedores daquela felicidade. Ou seja, não conseguimos vivenciá-la sem culpa, mesmo que uma culpa inconsciente. E vivida com esse sentimento de culpa, a felicidade se esvai, não existe.
[...] a felicidade seria pura e simplesmente a ausência de sofrimento. Lembro, a esse respeito, a citação de Goethe, segundo a qual "nada nos é mais difícil de suportar que uma sucessão de dias belos."
[...] Essa relação que tento estabelecer - entre felicidade e morte - já foi notada por outros autores e fica bem evidente na expressão "podia morrer agora" que muitas vezes empregamos nos momentos felizes. Talvez quem melhor resumiu a ambivalência e a angústia que a felicidade pode provocar tenha sido o pensador espanhol Julian Marías, quando disse que "a felicidade é extremamente vulnerável. Ela é um risco, e só como risco deve ser assumida."

Wednesday, February 13, 2008

Tremulamente estável

Meu bolo fumegante se movia com os tentáculos do Davy Jones.

Um cheiro me deixou completamente entorpecida...
Que delirante é realmente cultivar afeto por alguém!

Sozinha eu penso... Cadê eu?
Cadê?
O que
será
de
mim?
onde vou
me
encontrar
e
sentir
um encaixe
entre
meu corpo
e minha
alma?

Preciso destruir o quê mais amo?

Tuesday, February 05, 2008

Ca ÓTICA - veja só!

Pessoas certinhas; coisas diferentes; sentimentos de orgulho pelo sofrimento passado; o lado dark da bíblia; ciúme (que tento controlar ao máximo, contornando meus pensamentos, dizendo "não é bem assim"... "veja bem" ... "leve isso em consideração"); o comportamento humano analisado em um confinamento; stress; um livro que em poucas páginas me ensinou porque temos tanta necessidade de receber afeto; o nascimento; a reprodução; a vida; o trabalho; o ser humano moderno longe da tecnologia; o medo; a dúvida; a esperança; o egoísmo; o exibicionismo; relacionamentos; pesadelos; sentimentos desfeitos; morte...

tanto pensei...
tanto pude aprender.
mas ainda vivo alienada...
buscando acalento em pensamentos, na memória de momentos que elevaram meu ego... egoísmo! Narcisismo... eu também soube tudo o que precisava saber sobre isso, e onde exatamente me encaixo nessa questão!
Eu vou levar ainda muitos posts pra dizer tudo o que quero... e organizar as idéias.
Por enquanto ainda sou parte do ontem:
Lama... Água... Chuva... Problemas... Estrada.
Tudo... Foi loucura!
Mas a mais louca aventura foi ter me perdido dentro de mim.
Tá difícil de agüentar. Por vezes dá pra me tapear... Por outras, desisto de mim. Tá foda!

Saturday, January 19, 2008

ARRRRnaldo canta por mim

Quando eu quis você
Você não me quis
Quando eu fui feliz
Você foi ruim
Quando foi afim
Não soube se dar
Eu estava lá mas você não viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo em mim

Mas se eu já me perdi
Como vou me perder?
Se eu já me perdi
Quando perdi você
Quando eu quis você
Você desprezou
Quando se acabou
Quis voltar atrás
Quando eu fui falar
Minha voz falhou
Tudo se apagou, você não me viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo em mim
Mas se eu já me perdi
Como vou me perder?
Se eu já me perdi
Quando perdi você
Mas se eu já te perdi
Como vou me perder?


- - -


(Lupcínio Rodrigues)
Agora você vai ouvir aquilo que merece
As coisas ficam muito boas quando a gente esquece
Mas acontece que eu não esqueci a sua covardia
A sua ingratidão
A judiaria que você um dia
Fez pro coitadinho do meu coração
Essas palavras que eu estou lhe falando
Têm uma verdade pura, nua e crua
Eu estou lhe mostrando a porta da rua
Pra que você saia sem eu lhe bater
Já chega o tempo que eu fiquei sozinho
Que eu fiquei sofrendo, que eu fiquei chorando
Agora quando eu estou melhorando
Você me aparece pra me aborrecer


- - -

E eu me lembro bem, como se fosse hoje!
Meu corpo estremecendo, meus dentes quase se quebrando e a vontade de chorar crescia, por sentir tanto frio.
Meia noite ou mais, toda molhada, implorando por um abraço, mas você ouvia?
Sem equilíbrio, procurava alguém pra me apoiar...
E acabava no chão.
Não tinha nada de carinho, parece que você só me enxergava mesmo minha feminilidade. E esperava eu abrir as portas pra entrar, depois sair segundo sua vontade, e sem dizer adeus, ou tchau, já que dizia não gostar do adeus.
Tudo o que eu dizia, era "rodeio pra enfim nada dizer".
Tudo que eu sentia nada significava.
Nem eu consigo imaginar o quanto eu sofri.
Noites, pesadelos, lembranças, tanta frustração.
Quando eu consigo esquecer um pouco...
Olhar por outro ângulo...
Ter sentimentos totalmente diferentes...
Sou convidada a mexer em tudo aquilo?
Não quero mais.
Eu cansei.
Não tenho mais medo...
O quê tinha a perder, já perdi...
O que mais prezava já se foi.
A saudade já não existe...
Passou, passou.
Agora chega!




Friday, January 11, 2008

SRG - versos vezes três

(Não há nada melhor no mundo do quê o sorriso e as brincadeiras dos dois amores da minha vida!)

Se não há o quê pensar
Sobre o que vai fazer
Olhe para o Sol
Para esclarecer
E cegar os seus medos
E derreter os seus dedos
Espetar o seu ombro
Com agulha de um mongo
Quando eu for assinar
Vou deixar minhas mãos circularem
Depois que cagarem
Ou desenharem
Ou peidarem
Ou "enquadradarem"
Ou *-.~^´* (símbolo misterioso)


Assina aqui pra mim, por favor!



Assimetria

Quero sentir
A viscosidade de cada órgão
Escondido pela pele
Apertar com força e sofreguidão
Essas veias banhadas em vermelho
Sorrir cinicamente
Namorando a pulsação
Enlouquecer
Contemplando o coração
Estranha emoção
Entranha em exposição
Fuga da coesão
Libertação
Brincar de profanar
Abstrair a tentação
Estremecer dos pés à visão
Sem destino, ser estátua de marfim
Lavada de solidão, jogada no chão
Esperando alguém entrar em mim.


(Escrito nesta madrugada chata; finalizado na privada; borboleta a girar em torno da luz).

A eterna busca de si mesmo (2)

Apesar dos pesares, foi legal escrever essas babaquices naquela biblioteca legal! ¬¬

O dia amanhece sem razão. O sol cintila. Os olhos perambulam, avistando a paisagem da janela. Céu azul, um dia que clama para ser visto. As mãos esfregam os olhos, a cabeça agita-se freneticamente para livrar-se de devaneios passados e as mãos apóiam-se na cama. Não há coragem, mas há força. Uma força inata. Um desejo de vislumbrar o mundo por mais vinte e quatro horas.
O vento parece acariciar o asfalto. As árvores são embaladas como se fossem bebês ao som de uma canção de ninar. De repente, avista-se carros em fúria e fumaça; pessoas em alta velocidade, matando o tempo para dominar com precisão seus compromissos. É uma correria desenfreada: as lojas com letreiros coloridos e exibicionismo. O mendigo a querer beneficiar-se com o fruto do esforço alheio. A mulher com expressão cansada carregando o filho no colo. A crianças sorrindo à caminho da escola. Eu a observar, e pensar: "Qual o real sentido da existência?"
As pessoas nascem, crescem, talvez venham a gerar descendentes, para depois cair no vazio, na morte, como uma flor que murcha, cansada de esbanjar beleza.
Logo olho em outra direção, e percebo que ainda sou a flor cheia de vida. Que mesmo em um jardim ensangüentado, recebo a luz do alto, e posso continuar a florescer.
Busco meu caminho. Às vezes nada dá certo: as portas se fecham. Os carros quase me atropelam. As crianças me olham e caçoam baixinho da minha "vida adulta". Eu tropeço no mendigo. Vejo minhas cartas de amor no lixo. Minha vida a ser delineada, e não há chances para o contorno acontecer. Penso que é mesmo tudo muito difícil, e eu poderia deixar de acreditar em futuros êxitos. Mas a noite me acalma, me acalenta e me dá esperança para continuar buscando partes de mim perdidas pela cidade. Eu tenho a ilusão de viver para montar meu quebra-cabeças, e nada mais. Caio no mundo escuro dos sonhos; para mais tarde acordar para mais um dia. Com ou sem razão.

Friday, January 04, 2008

Oh, my GOD!

Acho que não sou tão egoísta assim!
As feridas me ajudaram a notar que se ferir é inevitável (que coisa, não!?) , e "pôr o dedo na ferida" me deixa um tanto triste. Mas já me conformei. Já fui destruída por tanto. Já não me deixaria prostrada por muito tempo se caísse a qualquer instante. Se recebesse mais humilhações. Como um troféu a dor viria mais uma vez. Mas não posso mais ser a vítima, e me entregar, levantar esse "prêmio" como um alento. Querer perder todas as esperanças. Fazer como sempre: jogar fora coisas que lembram o passado, querer arrancar tudo, esquecer, enterrar. Mas não dá! É tudo real. Faz parte de mim, embora eu finja que sou apenas um corpo e uma mente esvaziada, e perdida no vazio.
Ilusões... As minhas foram desmascaradas pelo tempo. Mas não é justo que eu queira fazer as pessoas deixarem de buscá-las. É mais fácil ver alguém fracassar. É mais fácil se apegar a alguém que se sente triste. Às vezes dá raiva... Perceber que é só você que se sente sozinho. Que a vida não lhe sorri, que você parece desamparado, sem cor, sem vida.
E eu... Não sei! Quando realizava coisas (como no ano que passou... realizei tanta coisa que queria, e acabava sentindo culpa por isso). Sinto culpa por ser feliz. Acho que há muita coisa injusta. Que os homens são muito egoístas. Que ninguém suporta ser contrariado. Que realmente dói demais você saber que não vale nada a alguém. Talvez valha por uma semana, quem sabe... Enquanto satisfaz necessidades, a qualquer nível humano.
E eu me pergunto: "POR QUE?"
Pra quê uma vida tão complicada?
Se de fato existe um Deus, o que Ele quer com tudo isso?!
Recompensa depois... Viver eternamente?! Isso é desesperador. Se não suporto viver uma vida que na maior das expectativas, duraria 100 anos... A eternidade seria extremamente amedrontante!
E tudo isso que eu penso pode me levar ao inferno?! A queimar eternamente também?!
E eu vou lá saber medir a dor?
Talvez queimar eternamente não seria nem uma pequenina parcela de sofrimento se compararmos com guerras, fome, fortes angústias...
O que costumo pensar é que a vida é uma coisa louca mesmo... E que vamos morrer e fim. Mas e onde se encaixam os acontecimentos sobrenaturais?! Seria fruto da imaginação? Loucura?
Então acontece que a natureza se transformou sozinha. Ah, legal!
Os peixes viraram répteis!
O animalzinho comedor de bananas de repente adquiriu um cérebro pensante. E ainda depois ele tomou consciência de que SABIA que SABIA. Sapiens sapiens. Bobo boboca! Destruidor de si mesmo. Eu não entendo!
Cada um inventa a historinha mais legal e confortante.
Houve um tempo em que eu ia a igreja, estudava filosofia e a origem da vida. Nada me satisfez. E ainda não sei o quê faço aqui. Às vezes paro para filosofar, e acho lindo o jeito como as coisas acontecem catastroficamente, porém de maneira poética na minha vida; acho encantador, e penso que há algo ao além, indecifrável, e por isso tão belo, pra depois virar sentimento e dúvida, razão sem razão, uma FORÇA, um espírito, um um um ... ah!
Fico incomodada por não conseguir ter fé em Deus... É muito a se pensar. Alguém que governa tudo. E quando dizem "Deus me ama!" . Caralho! Deus odiaria alguém?! Teria sentimentos? E ressentimentos? Se tivesse não seria perfeito. Seria humano. E se somos reflexos de Deus, ele é de fato humano!? Se é, por que superior, se imperfeito?! E de onde ele surgiu!?
Agora, exatamente agora meus olhos começam a formar lágrimas, e um arrepio percorre meus braços. Vem justamente a minha mente a imagem de Deus, criada quando eu era criança. Lá em cima, um homem de poderes, barba branca enorme. E de repente lembro quando perguntava a minha mãe: "E de onde ele surgiu?!" ... E vislumbro um buraco. Ele surgindo. Mas de onde? E vejo as trevas (que não sei por que, me lembravam de plantas verdes)... E depois meus olhos percorrem montanhas. E Deus lá, lá em cima. É tão psicodélico, que acho que nem que eu usasse drogas, conseguiria ter tais sensações e imaginações. Aliás, por falar em drogas... Se elas transformam tanto a mente de um usuário, faz ele "ver coisas", por que a mente não seria capaz de criar TUDO? Mas e a mente primitiva? Surgiu por geração espontânea?!
Deus! Deus! Deus! Às vezes oro... Clamo! E não sei o quê dizer. Mas peço perdão. Porque eu sou fraca. Porque eu não consigo mesmo ter uma opinião formada. Porque quando eu preciso, eu choro e clamo como que para aliviar, para estacionar aflições. Eu escrevo por escrever, penso por pensar, e é tudo tão incoerente. E quase ninguém me compreende. Eu fico sozinha. E demoro a cair na minha "morte temporária" (sono). Talvez a morte seja um sonho. Talvez a vida seja uma brincadeira. Talvez Deus esteja rindo de tudo isso aqui. Talvez isso tudo que eu sinta seja uma fumaça negra, vinda do cigarro de uma tuatara que inventou-se e deu-se a vida. Talvez nada disso exista. E quem sabe eu seja auto-destrutiva?! Sei que no fim, os bichinhos vão mesmo me comer, e essa carinha que gosto de ver no espelho vai se desfazer. Mas porra, eu disse FIM?! Eu não sei o que é o fim! Eu não conheço nem o começo, como vou saber do fim?!
Eu não uso drogas, JURO!
Por Deus?!
Que Deus me perdoe por estar usando seu santo nome em vão!
Mas ele é mesmo santo!?? O quê faz dele santo?
Ah, Senhor. Perdoe-me. Eu não sei o que digo.

Tuesday, January 01, 2008

FELIZ 2008!

O ano vai chegando ao fim...
E você pensa: "Esse não foi o meu ano... Deu tudo errado! Nada me importa, vou fazer o que tiver vontade!" (e se fosse pra pensar filosoficamente, diria que o próximo ano vai ser zilhões de vezes pior!)
Então começa a encher a cara, xingar em pensamento o filho da puta que te fez mal, ver amigos que você não viu durante todos esses meses, ligar e receber ligações de/para pessoas com as quais você mal trocou olhares nesses 365 dias, deixar de se importar com as conseqüências e fazer coisas até imorais!
Porque depois vai surgir o próximo ano, e ao final da contagem regressiva para a meia-noite, tudo de obscuro vai se dissipar. E nada mais de vícios... tristeza... desentendimentos...
"Nesse ano eu deixo de fumar!"
"Nesse ano eu quero alguém para amar, e ser fiel!"
"Nesse ano eu não vou mais ter crises existenciais, vou ser feliz e viver intensamente!"
"Nesse ano... nesse ano... nesse ano..." (aaarghhh, movimento me deixa tonta e com mais vontade de vomitar...)
E lá vai a multidão... Com roupas novas, cores que simbolizam desejos, abraços, beijos, promessas, reconciliações, sorrisos, cumprimentos... Enfim!
Fiquei até com medo de ser a mesma de 2007... Tanto sofrimento, tanta aventura louca e neurose, tanto que errei... Eu não quero mais!
Mas que ilusão! Nada muda... É tudo igual... Sou a mesma de 17 anos atrás (quase 18), carrego partículas de tudo que ganhei na vida, até mesmo o que perdi... Há ainda resquícios de 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006,2007...
Todos esses anos fazem de mim o que sou...
E o lado medonho de tudo isso é ator coadjuvante nesse drama do meu viver! hahah

FOGOS...

Náusea... Vertigem... Nos lábios um sabor agridoce... Dor de cabeça!

ALEGRIA!
É mais um ano que começa...

Não quero mais as mesmas esperanças do ano passado...
Quero viver me aventurando mais...
Ganhar, perder...
Faz parte do jogo!

E vamos lá...

(para o banheiro)


TCHAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!

Friday, December 21, 2007

Visceral...

(teclado do note da tia desconfigurado... hunf! Odeio deixar de acentuar as palavras)


Dias atras...

Sonho 1 - Pelada, nadando em um rio sujo localizado entre casas. Nada de pudor. Homens observando.

Sonho 2 - Brincando (semi-nua, de certa forma um pouco coberta, porem sem pudor tambem) em um balanco``natural``, ao lado de uma mulher.

Conclusao - (limpando chamine) - Negacao parcial a moral esmagadora de desejos; maior atencao aos proprios impulsos, sem paranoia.

Realidade 1 - Com uma camisola (se eh que aquilo pode ser chamado de roupa),diante de uma mulher baixinha, com uma mecha de cabelo branco na frente (linda, quero uma igual).
- Agora vou examinar seus seios, fique com as maos para tras!
- Ahn ahn, ta...
- Ok...
(tocando a barriga)
(Rafaela observando os mosquitos invisiveis)
- Agora vamos la para baixo!
(Nao, nao, nao - penso)
(Outra moca entra)
- Ah, ja viu frango assado? Quando voce vir depois de sair daqui lembrara de nos! Coloque seus pes aqui, e as maos para tras!
- Vao me torturar!
(Riem, e dizem : ``tao tranquilo``)
- Ai , eu to tremendo!
- Relaxa...
(moca auxiliar): Eh, to vendo que tamanho nao eh mesmo documento! Voce desse tamanho, com medo de uma baixinha!
- Tudo perfeitinho!
- Jura?
- Sim!
- Prontinho! Eu nao te torturei... Pode ir para o banheiro e vestir sua roupa!
(Fecho a porta, olho para o espelho, e comeco a chorar... Mas por que eu choro? Nao sei... Enxugo as lagrimas, visto a roupa, e vou para a outra sala conversar com a simpatica senhora!)
- Eu nao te torturei! rs
- Voltarei mais vezes! (Caralho, por que eu disse isso?)


Realidade 2 - Minha mae pediu um hemograma!
Eu:
``Nao pode ser hoje?``
Sim!
Ouvindo bloodbath no mp3... Louca pra tirar sangue!

La chegando... Sentada esperando e ouvindo musica...
``Rafaela, tira isso da orelha! Te chamaram.``

Conversando com a moca... Olhando a agulhinha!
- Faz tanto tempo que nao tiro sangue! Nem doi ne?
- Que isso! Picadinha de formiga!
- eh ... he he he, diz como se eu fosse uma criancinha... Eu faco drama!
(Tirando... ``AHHH, QUE DELICIA!``)
Queria ter tirado umas 20 vezes! hhuahahua

Conclusao 2: DRAMA, DRAMA, DRAMA, O MAIS PURO E VERDADEIRO DRAMA!

Tuesday, December 18, 2007

Onamismo

Ah! Que terror me ver sozinha
Nua no escuro do quarto
Sendo agarrada pelas minhas próprias entranhas
Que vontade de fugir de mim!
E de correr para um lugar seguro
Cair nos braços de alguém
Sair na chuva,
E chorar.
Sinto cheiro de morte:
É hora de enterrar mais uma ilusão.